
Certamente a rede que revolucionou a teledramaturgia brasileira.
HISTÓRIA DA TV MANCHETE
1981-1993: Nasce a Rede Manchete
Adolpho Bloch: sua vida
O lançamento da revista Manchete
Nos anos 50, Bloch, já um empresário de sucesso, trabalhava para a Rio Gráfica, de Roberto Marinho, entre outras, imprimindo revistas infantis e de variedades. O sonho de Adolpho Bloch era ter uma revista semanal, como conta em seu depoimento biográfico. “Eu tinha três dias de folga nas máquinas: sábado, domingo e segunda-feira. Sempre sonhara ter uma revista semanal que não dependesse das encomendas. Tínhamos capacidade para imprimir 200 mil exemplares. Os acontecimentos eram históricos e eu queria participar deles. O mercado de revistas, no Brasil, era liderado pelo O Cruzeiro, dos Diários Associados”.
O sonho de Adolpho Bloch se transformou em realidade no dia 23 de abril de 1952, com o lançamento, em todo o Brasil, da revista Manchete, nome derivado da francesa Paris Match.
Bloch se tornou um grande amigo de Juscelino Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1960. Na década de 60, inclusive, a revista Manchete cresceu, principalmente destacando-se em coberturas sobre a construção e inauguração de Brasília. Com o golpe militar de 1964, Manchete foi a única revista que publicou a foto de João Goulart deixando o Rio e partindo para o exílio no Uruguai.
Nos anos seguintes, Bloch trabalhou para o crescimento da revista Manchete, criando também novas revistas, como Pais & Filhos, Ele Ela, Mulher de Hoje, Conecta, Manchete Rural. Realizou sonhos, como conhecer Israel. Produziu e imprimiu, em outubro de 1988, uma edição de Manchete em russo e distribuiu durante visita oficial do presidente José Sarney, inclusive entregando um exemplar pessoalmente para Mikhail Gorbachev.
A investida
No
Bloch ainda contou que investir em televisão não estava entre suas prioridades. “Pessoalmente, eu preferiria continuar investindo na editora, visitando exposições de gráficas, de livros, revistas e, com o tempo, concretizando o projeto de fabricar latas de alumínio, uma novidade no mercado brasileiro. (...) Relutei comigo mesmo e custou-me a idéia da televisão. Mas quando aderi, e seguindo o meu temperamento, foi para valer”.
Adolpho Bloch morreu em 19 de novembro de 1995, aos 87 anos, deixando uma frase como lema: “O importante na vida não é ter, ser ou parecer. O importante é fazer, construir, desenvolver”. A partir da perda de seu fundador e presidente, o Grupo Bloch, que estava em crise, não mais se reergueu, desaparecendo quatro anos depois, como veremos nos próximos tópicos e capítulos.
A concessão dos canais para o Grupo Bloch
A Rede Tupi de Televisão faliu em junho de 1980 e teve suas concessões cassadas pelo governo federal.
Pouco depois que a emissora dos Diários Associados faliu, começou a especulação sobre qual seria o destino dos sete canais cassados. Além disso, estavam disponíveis outros dois canais: o canal 9 de São Paulo, que era utilizado pela TV Excelsior e o canal 9 do Rio de Janeiro, a TV Continental, ambas extintas no início da década de 70.
O governo federal decidiu abrir uma licitação, lançando duas novas redes de televisão. Estavam disponíveis os nove canais, entre os sete da Tupi e os dois sem utilização.
De acordo com Silva (2002), Silvio Santos, que possuía o Canal 11 do Rio de Janeiro, a TVS e era dono de metade da TV Record de São Paulo, tentou impedir a distribuição dos canais para novos grupos com uma idéia, não aproveitada pelo governo.
A idéia de Silvio Santos era a seguinte: ao invés de abrir o edital e criar duas novas redes de televisão, o governo deveria fortalecer as emissoras TV Record e TV Bandeirantes, dividindo os canais entre estas. O Brasil teria, assim, três redes fortes: Rede Globo, Rede Record e Rede Bandeirantes.
O governo preferiu abrir o edital, em 30 de setembro de 1980. Como relata Silva (2002), apresentaram-se nove candidatos: Rede Piratininga de Rádio e Televisão, encabeçada pelo general Sizeno Sarmento; Rede Capital, do prof. Edevaldo Alves da Silva; Rede Rondon de Comunicações, de Paulo Abreu, dono de uma rede de rádios AM e FM
A concorrência para um canal de televisão, como relata Silva (2002), é um jogo de influências, com pressões de todos os grupos interessados e seus parceiros sobre os integrantes de todas as escalas do governo.
Em 25 de março de 1981, o governo federal anunciou os vencedores da licitação. Através do decreto nº 85.841, o presidente João Figueiredo concedeu quatro canais ao Grupo Silvio Santos: TV Tupi de São Paulo, TV Marajoara de Belém, TV Piratini de Porto Alegre e TV Continental do Rio de Janeiro. E, através do decreto nº 84.842, outorgou à TV Manchete concessões de cinco canais: TV Itacolomi de Belo Horizonte, TV Rádio Clube do Recife, TV Ceará de Fortaleza, TV Tupi do Rio de Janeiro e TV Excelsior de São Paulo. Estavam formadas as duas novas redes de televisão do Brasil.
Segundo Conti (1999), Bloch foi escolhido porque a Manchete [revista] elogiava o governo e porque seu sobrinho, Oscar Siegelman, era amigo do general Otávio Medeiros, do Serviço Nacional de Informações. Mas quase não a ganhou por causa da maneira como a revista cobria o Carnaval.
“Assim eu não vou dar a televisão para vocês, disse Figueiredo a Oscar Siegelman. Eu estive vendo a Manchete, é uma vergonha. Só dá bicha e mulher pelada e vocês vão colocar isso na televisão. O general mudou de opinião depois que Alexandre Garcia, seu ex-assessor de imprensa [atualmente na Rede Globo], disse que seria o diretor do Departamento de Jornalismo da emissora e não permitiria que cenas de baixo nível fossem ao ar”. (Conti,1999, p.514).
Sobre televisão, Adolpho Bloch disse que não pretendia investir em um canal, preferindo continuar trabalhando com gráficas e livros. Contou, inclusive, sobre os altos investimentos realizados para colocar no ar a Rede Manchete. “Para iniciar a televisão, entre outros projetos, eu tinha que comprar de uma só vez 12 milhões de dólares em filmes que poderiam ser transmitidos apenas três vezes no espaço de dois anos. E em dois anos, meus amigos, os 12 milhões de dólares viraram fumaça. Relutei comigo mesmo e custou-me a idéia da televisão. Mas quando aderi, e seguindo o meu temperamento, foi para valer. Meu sobrinho Jaquito [Pedro Jack Kapeller] seguiu para os Estados Unidos e Japão, trazendo os equipamentos mais modernos. Aqui, com a nossa equipe, começamos a viabilizar o projeto. Tínhamos cinco canais (Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza), hoje [1995] acrescidos de dezenas de afiliadas que cobrem todo o território nacional”.
A estréia da Rede Manchete
A concessão da Rede Manchete foi outorgada pelo governo federal no dia 25 de agosto de 1981. O SBT, que também ganhou canais nessa data, colocou a emissora no ar no mesmo dia, transmitindo seu próprio nascimento.
Adolpho Bloch investiu mais de US$ 50 milhões em equipamentos, filmes e artistas em seu canal de televisão e criou expectativa para o lançamento da emissora. Apenas dois anos após a assinatura da concessão a emissora foi ao ar, perto, inclusive, de expirar o prazo máximo permitido pela legislação brasileira para colocar o canal em funcionamento.
De acordo com o site Rede Manchete – Qualidade
“Já se sabia que a sua estrutura estava cada vez mais direcionada para as classes mais elevadas e que a emissora estaria equipada com os mais modernos equipamentos de última geração. A cultura nacional e a elevada tecnologia adotada se uniriam para formar um novo conceito de televisão no Brasil”. (Site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar).
A emissora foi ao ar, pela primeira vez, no dia 5 de junho de 1983, um domingo. Às 19 horas, foi realizada uma contagem regressiva com caracteres modernos e Adolpho Bloch fez um discurso no cenário do jornalismo da emissora. Em seguida foi ao ar, pela primeira vez, a vinheta que marcou a história da emissora e abriu e fechou sua programação durante seus 16 anos de vida: o logotipo da emissora, um “M” estilizado, sobrevoava a maioria das cidades brasileiras e era saudado pelo povo, aterrissando, no final, no prédio da emissora, no Rio de Janeiro.
Em seguida, foi ao ar o show “O Mundo Mágico”, com apresentação de diversos artistas, números musicais, bandas e conjuntos, entre eles Roupa Nova, que fez a maioria das músicas das vinhetas e programas para a emissora.
Ainda naquela noite de domingo, foi exibido o filme inédito “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, de Steven Spielberg. Segundo a imprensa da época, relata o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, a emissora já nasceu incomodando a Rede Globo, alcançando, na oportunidade, excelente audiência. Em alguns momentos, com 33 pontos no Ibope, praticamente empatou com o jornalístico “Fantástico”, que alcançava uma audiência de 35 pontos.
Os primeiros programas
Atrações para as classes A e B
A Rede Manchete preparou uma grade de programação voltada para as classes A e B, não querendo, de forma alguma, atrações populares em sua grade. Entre as primeiras atrações, podemos destacar o musical “Bar Academia”, com Walmor Chagas”, “Conexão Internacional”, com Roberto D’Ávila, “Um Toque de Classe”, sobre música erudita, entre outros.
O “Jornal da Manchete” era um dos carros-chefe da emissora, se destacando pela qualidade e duração. A primeira versão do jornal, entre 1983 e 1984, tinha quase duas horas de duração, se dividindo em vários blocos, como “Manchete Esportiva”, “Manchete Panorama”, entre outros.
O cenário do telejornal foi inspirado na rede norte-americana CNN, que havia estreado anos antes nos Estados Unidos. Ao fundo do cenário estava a equipe técnica da emissora, com muitos monitores, mesas de áudio, vídeo e seus respectivos operadores.
A cobertura do Carnaval
Em fevereiro de 1984, quando foi inaugurado o Sambódromo no Rio de Janeiro, a Rede Manchete adquiriu os direitos exclusivos para a transmissão do Carnaval carioca. A cobertura valeu uma vitória destacada sobre a Rede Globo. A partir de então, a Rede Manchete ficou marcada pela excelente cobertura carnavalesca, desde os desfiles na Sapucaí até os bailes e desfiles de fantasia.
A campanha das "Diretas Já"
A Rede Manchete se destacou também, em seus primeiros passos, pelo total apoio à campanha da “Diretas Já” em 1984, quando a população, através de comícios e passeatas, pedia a aprovação da emenda que restabelecia eleições diretas para presidente no Brasil. A emissora transmitiu vários comícios, inclusive aqueles que reuniram um milhão de pessoas em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Investimentos
A Rede
Em 1985, animada com os bons resultados de “A Marquesa de Santos”, é lançada a primeira novela, “Antônio Maria”, que dá prejuízo e quase nenhuma audiência. O humorístico “Tamanho Família” também não emplaca.
As primeiras crises financeiras
Como citamos anteriormente, Adolpho Bloch investiu mais de US$ 50 milhões na Rede Manchete. Em 1985, com dois anos de existência, os prejuízos da Rede Manchete eram evidentes. A emissora entrava em sua primeira crise financeira.
Adolpho Bloch estava preocupado, pois a dívida da emissora já atingia milhões de dólares. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, séries como Xingu e Japão ganharam elogios, pois a emissora investiu em qualidade, mas nem sempre isso demonstrou ser sinônimo de lucro. “Descontente com o faturamento e a audiência, Bloch aprova programas populares, como os humorísticos do casal Carlos Eduardo Dollabela e Pepita Rodrigues e Miéle”.
Em 1985, o único destaque da emissora é a estréia da ex-modelo Xuxa, que ficou famosa por aparecer nua na capa da revista masculina Playboy no começo da década de 80 e namorar o ex-jogador Pelé. Xuxa logo cativou a audiência infantil e obteve destaque no comando do “Clube da Criança”, que estreou em janeiro.
No ano de 1986, a Rede Manchete já acumula, segundo o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, um prejuízo, desde a estréia, de US$ 80 milhões e uma dívida de US$ 23 milhões.
A emissora enfrentou sua primeira greve os funcionários em setembro de 1986, quando pararam em virtude de salários atrasados. Xuxa, que alcançava excelente audiência, deixou o canal no começo do ano e foi para a Rede Globo apresentar o “Xou da Xuxa”. Ainda em 1986, duas atrações contribuíram para o aumento da crise financeira: a transmissão da Copa do Mundo de 1986, no México e a novela “Dona Beija”, uma produção que custou mais de US$ 2 milhões. Com cenas de nudez de Maitê Proença, a novela fez grande audiência – cerca de 15 pontos diários, especialmente entre o público masculino, mas também deu prejuízo.
A primeira grande demissão da emissora, segundo o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, aconteceu em julho de 1987, quando a linha de shows da emissora, composta por musicais e humorísticos, foi completamente desativada e cerca de cem funcionários foram demitidos.
Com dívidas, em 1988 Adolpho Bloch começa a cogitar a venda da emissora. O saldo devedor beirava a casa dos US$ 34 milhões, quase dobrando em apenas dois anos. Um prejuízo de acumulava atrás do outro. Bloch precisou pedir ajuda política para evitar a falência da emissora.
De acordo com Conti (1999), o governador de São Paulo a partir de 1987, Orestes Quércia, foi procurado por um preocupado Adolpho Bloch.
“Pouco depois de tomar posse no governo paulista, Orestes Quércia foi procurado por Adolpho Bloch e seu sobrinho Pedro Jack Kapeller, o Jaquito. O dono da Rede Manchete desfiou um rosário de lamentações. Reclamou das dificuldades da emissora, das dívidas, do aperto dos credores, das concorrentes, da ausência de anunciantes. Contou como fugiu da Rússia, o tanto que trabalhou, como gostava de gráficas e que a televisão o estava levando á loucura”. (Conti,1999, p.512).
Quércia, segundo Conti, disse que ajudaria Bloch não pelo auxílio recebido durante sua campanha, pois, segundo o governador, a emissora ajudara Paulo Maluf, mas sim por causa da maneira como Bloch preservava a memória do ex-presidente Juscelino Kubstichek. Orestes Quércia auxiliou a Rede Manchete, através da compra de um grande pacote de anúncios e pagando antecipadamente.
“A ajuda de Orestes Quércia a Bloch consistiu em colocar anúncios do governo a granel na Rede Manchete, tomando o cuidado de não melindrar os concorrentes, a começar pela Globo. Fazia o pagamento da propaganda antes de ela ser veiculada”. (Conti,1999, p.514).
Bloch, empolgado, quis vender a Rede Manchete para Orestes Quércia, que é empresário do setor das comunicações – possuía até o final dos anos 90 os jornais Diário Popular, em São Paulo, e Diário do Povo, em Campinas, e ainda é proprietário de emissora de televisão em Campinas. Quércia disse que não poderia fazer negócios enquanto fosse governador. Conti ainda destaca:
“Ao sair do governo, ele disse a Bloch que queria comprar a emissora da Manchete em São Paulo. O empresário aceitou, com a condição de que se continuasse a transmitir a programação da rede. Acertaram o preço: 28 milhões de dólares, à vista. O peemedebista não tinha todo o dinheiro. Mandou um emissário falar com Antônio Ermírio de Moraes, que não manifestou interesse pelo negócio. Conversou com empreiteiras e procurou Roberto Civita. “Acho bom que a emissora fique com um grupo paulista, para que o estado tenha uma alternativa à Globo”, sugeriu Quércia ao dono da Abril. Civita disse que deveria ser feita uma avaliação da emissora, dos seus débitos, e depois precisariam procurar bancos, para obter financiamentos. “Esse negócio tem que ser feito por você e pelo Adolpho, um olhando no olho do outro”. Civita não gostou do estilo de negociar do governador e saiu da transição. Quércia não conseguiu articular um grupo para comprar a Manchete e abandonou o projeto”. (Conti,1999, p.514-515).
Com a desistência de Orestes Quércia, Adolpho Bloch continuou com a Rede Manchete, tomando um prejuízo atrás do outro. Mesmo com um rombo milionário, Bloch investiu muito dinheiro na reabertura da linha de shows da emissora e torrou US$ 25 milhões na sede paulistana da emissora, inaugurada em janeiro de 1990, conforme registrou o jornal O Estado de S. Paulo.
O sucesso das novelas "Kananga do Japão", "Pantanal" e "Ana Raio & Zé Trovão"
Em 1989, surge uma “luz no fim do túnel” para a Rede Manchete. Com dívida superior a US$ 50 milhões, a emissora investe pesado no segmento da teledramaturgia para tentar conquistar audiência, prestígio e, conseqüentemente, faturamento. Começava um bom período para o canal, que duraria até meados de 1991.
No dia 19 de julho de 1989, às 21h30, estreava a novela “Kananga do Japão”, de Wilson Aguiar Filho, com Christiane Torloni, Raul Gazzola, Tônia Carrero e Giuseppe Oristânio, entre outros. A trama, ambientada no Rio de Janeiro dos anos 30, alcançou excelente audiência e faturamento, além de ser bem avaliada pela crítica.
Mas o grande momento da história da Rede Manchete, sem sombra de dúvida, estava por vir. No dia 27 de março de 1990, às 21h30, estreava “Pantanal”, de Benedito Ruy Barbosa, com um grande elenco: Cristiane Oliveira, Marcos Winter, Cláudio Marzo, Marcos Palmeira, Jussara Freire, Tarcísio Filho, Almir Sater, Ângelo Antônio, entre muitos outros, além da direção de Jayme Monjardim.
“Pantanal”, conforme destaca o jornal O Estado de S. Paulo, teve um custo de US$ 8 milhões, deu um banho na Rede Globo no Ibope e elevou o faturamento da emissora para US$ 120 milhões em 1990.
A novela revelou uma paisagem brasileira que é considerada uma das mais lindas do mundo, o Pantanal, uma área de 140 mil hectares que fica nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Como destaca o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, “Pantanal revolucionou a linguagem da teledramaturgia brasileira investindo bastante em cenas de externas, com o objetivo de exaltar um dos mais belos cartões postais de nosso país. Em termos de audiência, tornou-se um fenômeno: atingiu a marca máxima de 40 pontos e constantemente derrotava a liderança da Rede Globo em pleno horário nobre. Outro grande motivo que levou "Pantanal" ao grande sucesso foram as fartas cenas de nudez vistas nos constantes banhos de rios de suas personagens. Outras grandes sensações do núcleo de dramaturgia da emissora foram algumas minisséries produzidas e exibidas no horário das 22:30”.
“Pantanal”, que teve 216 capítulos e terminou no dia 10 de dezembro de 1990. Na segunda-feira seguinte, 12 de dezembro, estreou “A história de Ana Raio & Zé Trovão”, de Marcos Caruzo e Rita Buzzar, esperança da emissora para continuar a saga de boa audiência. Essa novela, itinerante, passou por vários pontos do Brasil e destacava o mundo circense e dos rodeios. Conseguiu boa audiência, mas não parecida com a de “Pantanal”: média de 16 pontos. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, custou US$ 8 milhões e percorreu 14 mil quilômetros em todo o país.
A venda da emissora para a IBF
A proposta de Paulo Octávio
Apesar do sucesso da novela “Pantanal”, a crise financeira não foi atenuada. A emissora não conseguia se reerguer. Em julho de 1990, um duro golpe: como destaca o jornal O Estado de S. Paulo, o Banco do Brasil embargou os bens da emissora para garantir o pagamento de US$ 60 milhões
Em junho de 1991, Orestes Quércia, ainda governador, voltou a se interessar pela compra da Rede Manchete. Como relata Conti (1999), Quércia soube que um amigo de Collor [presidente de República entre 1990 e 1992], Paulo Octávio, estava se movimentando para comprar a Manchete.
“O ex-governador considerou inadmissível que um adversário político, e ainda por cima presidente da República, controlasse a rede. Quis embaralhar o negócio. Passou a informação para Paulo Moreira Leite, editor executivo de Veja, que fez uma matéria sobre o assunto na revista. Paulo Octavio era amigo do presidente desde o curso secundário. Foi seu padrinho nos dois casamentos. Queria comprar a Manchete com outros nove sócios. Conseguiu dois, também amigos de Collor: Luiz Estevão e João Carlos Di Gênio. Paulo Octavio procurou Lafaiete Coutinho, presidente do Banco do Brasil, pediu um empréstimo para reforçar o pedido”. (Conti,1999, p.514-515).
O pedido de empréstimo foi negado, pois Coutinho afirmou que Paulo Octavio não teria capacidade para pagamento, precisando de inúmeras garantias.
Desde o final dos anos 80, segundo Conti (1999), Adolpho Bloch negociava apoios eleitorais em troca de empréstimos e anúncios governamentais. A Rede Manchete estava com muitos problemas e drenava os lucros da gráfica e da editora. Bloch, inclusive, não sabia se venderia mesmo a emissora ou tentaria reerguê-la.
“No final do governo Sarney, tinha dívidas com o Banco do Brasil e o Banerj. (...) Além de Quércia, ofereceu a emissora a Paulo Maluf, Leonel Brizola e Fernando Collor. Mas nunca se sabia ao certo se queria mesmo vendê-la ou se tentava levantar novos empréstimos para salvá-la”. (Conti,1999, p.515).
Antes mesmo de negociar com Paulo Octávio a venda da emissora, Bloch quis renegociar suas dívidas com o Banco do Brasil e outras instituições. É interessante observar, na narrativa de Conti (1999), como Bloch se portou e foi tratado por Coutinho:
“Lafaiete Coutinho os recebeu [Bloch e Salomão Schwartzman, diretor da Manchete
Os planos dos aliados de Collor pareciam funcionar. O Banco do Brasil não negociava a dívida da emissora, que aumentava. O preço fatalmente cairia. Bloch ficou muito magoado com Coutinho e Collor. Mas a compra da emissora não foi adiante, e tudo por causa de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, então um dos principais diretores da Rede Globo de Televisão. Amigo de João Carlos di Gênio, Boni aconselhou Paulo Octavio a não comprar mais a emissora de Bloch. Segundo Conti, o presidente Collor também sofreu pressão de Roberto Marinho, já que garantiu que a emissora não seria comprada.
A venda da emissora para a IBF
A venda para a IBF
Quando a negociação com Paulo Octávio também não deu certo, Adolpho Bloch negociou, a partir de 1991, com Hamilton Lucas de Oliveira, empresário proprietário da Indústria Brasileira de Formulários (IBF). Segundo Conti (1999), Oliveira trabalhou desde pequeno na gráfica de sua família, Triunfo,
A IBF trabalhava, em 1991, com a impressão de bilhetes de loterias instantâneas, as “raspadinhas”. Ainda de acordo com Conti, após um ano de atuação no segmento, a IBF lucrou US$ 35 milhões.
Como relata reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, a IBF era acusada na época de superfaturar a impressão das loterias instantâneas. “Causou surpresa a ascensão da empresa, que em cinco anos triplicou o faturamento e comprou os jornais DCI [Diário do Comércio e Indústria] e Correio da Manhã, a revista Visão e 40% da TV UHF Jovem Pan (atual CBI)”.
Conti (1999) relata que Hamilton Lucas de Oliveira pagou a Waldemar dos Santos, dono dos títulos jornalísticos US$ 15 milhões – também foi adquirido o jornal Shopping News e a gráfica que imprimia as publicações. Com a TV Jovem Pan, foram gastos US$ 12 milhões.
“Os 27,2 milhões de dólares que Hamilton Lucas de Oliveira investiu em órgãos de imprensa não renderam nenhum lucro. Em compensação, trouxeram-lhe uma notoriedade indesejada. Tímido e arredio a repórteres, ele foi apresentado pela imprensa como um empresário sombrio, misterioso, envolvido em negócios mal explicados ou escusos. Ora era apontado como testa-de-ferro de Orestes Quércia, ora como sócio de Paulo César Faria”. (Conti,1999, p.518).
Hamilton Lucas de Oliveira fechou a compra da Rede Manchete em junho de 1992. Comprou, nominalmente, 49% do canal. Antes mesmo de assumir oficialmente a emissora, começou a pagar os salários dos funcionários, já que Adolpho Bloch não possuía mais condições. Segundo Conti (1999), Oliveira pagou US$ 70 milhões e combinou com Bloch que se as dívidas da emissora, estimadas em US$ 110 milhões, ultrapassassem US$ 140 milhões, seria ressarcido.
Só que quando assumiu a emissora, inclusive obtendo do presidente Fernando Collor uma garantia de que o governo continuaria anunciando na emissora, Hamilton Lucas de Oliveira viu que a situação era extremamente delicada e que os números eram bem diferentes do que Bloch havia passado.
“Ao entrar na Manchete, Oliveira descobriu que Bloch tinha vendido quase todo o espaço publicitário da emissora por quase um ano. Descobriu também que as dívidas eram muito superiores a US$ 150 milhões. Os credores da emissora bateram à sua porta. Saldou algumas dívidas e atrasou os salários de suas revistas, jornais e estações de televisão. A tiragem de Visão caiu de 70 para 10 mil exemplares. A do Shopping News, de 500 mil para 200 mil exemplares. A TV Jovem Pan dava um prejuízo mensal de dezenas de milhares de dólares. O DCI, também. Em dois anos, a venda da raspadinha despencou de 6 milhões para 1 milhão de bilhetes por dia”. (Conti,1999, p.520).
A dívida da Manchete era, na verdade, superior a US$ 240 milhões. A compra da emissora foi acertada em três parcelas. A primeira foi paga. Quando surgiu o montante correto da dívida e os primeiros problemas com credores, o pagamento foi imediatamente suspenso. Durante a administração de Hamilton Lucas de Oliveira, a Manchete reformulou a programação, extinguiu o departamento de teledramaturgia e demitiu mais de 600 funcionários.
Do período de administração IBF, podemos destacar os seguintes programas: “Almanaque”, com Rosana Hermann e “Clodovil Abre o Jogo”, com Clodovil Hernandez, que alcançava excelente audiência. Nessa época, a emissora perdeu o programa “Documento Especial: Televisão Verdade”, que também fazia sucesso, para o SBT. Em seu lugar, sem o mesmo impacto, estreou “Manchete Especial: Documento Verdade”.
Reproduzimos abaixo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 25 de outubro de 1997, na página T7, sobre o processo envolvendo os Bloch e a IBF.
Impasse é definir quem é o dono da rede
Bloch e IBF brigam pelo controle e decisão da Justiça deve sair em 1999
Beatriz Coelho Silva e Eduardo Elias
O destino da Manchete está nas mãos da Justiça, mais precisamente do juiz Marco Aurélio Fróes, da 35ª Vara Cívil do Rio. Enquanto estiver sub judice, a emissora não pode ser vendida. A audiência que vai resolver a pendenga ainda não foi marcada, mas dificilmente será este ano.
A briga pela emissora vem de junho de 1992, quando a IBF comprou a emissora. (...) O acordo foi polêmico e o contrato, de gaveta: oficialmente, a IBF comprou só 49% das ações, para driblar a legislação, que sujeita a venda de concessões públicas à aprovação do governo.
Em 91, o lucro da IBF (acusada na época de superfaturar a impressão das loterias “raspadinha”) chegou a US$ 35 milhões. Causou surpresa a ascensão da empresa, que em cinco anos triplicou o faturamento e comprou os jornais DCI e Correio da Manhã, a revista Visão e 40% da TV UHF Jovem Pan (atual CBI).
Paga a primeira parcela, uma auditoria avaliou a dívida da Manchete em US$ 240 milhões. “Diante disso, a segunda e a terceira prestações não foram pagas”, conta Roberto Lonessa, advogado da IBF. O Grupo Bloch entrou na Justiça para reaver o direito de gerir a rede. Obteve liminar favorável em abril de 1993.
O advogado das empresas Bloch, Luiz Bernardo Gomide, diz que faltam documentos contáveis do período em que a Manchete esteve com a IBF. Lonessa, da IBF, alega que o período está fora do processo.
Com o não pagamento das parcelas restantes, Adolpho Bloch entrou com uma ação cautelar na Justiça, em abril de 1993, um mês depois de empregados da emissora colocarem uma chamada no ar denunciando falta de pagamento de salários, para reaver o controle da emissora. Ganhou. E a batalha se arrastou até 1999, como abordaremos no próximo capítulo.
Os Bloch retomam a emissora – o “difícil recomeço” Com a batalha judicial em andamento, os Bloch retomaram o controle da Rede Manchete. Para identificar a retomada, é colocada a inscrição “Bloch” abaixo do logotipo da emissora, como cita o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar.
Ainda em 1993, outro episódio marcou negativamente história da emissora: em julho, grevistas retiraram a emissora do ar por algumas horas.
Em 1994, dois momentos distintos: em fevereiro, a emissora recupera o prestígio e a boa audiência voltando a transmitir o Carnaval do Rio de Janeiro. Pouco depois, estréia a novela independente “74.5 – Uma Onda no Ar”, com baixa audiência. Ainda nesse ano, foi transmitida, diretamente dos Estados Unidos, a Copa do Mundo de 1994, vencida pelo Brasil.
No ano de 1995, novamente um fato negativo: em maio, os bens da emissora, conforme relata o jornal O Estado de S. Paulo, foram novamente embargados pelo Banco do Brasil. Só em cheques sem fundo, a dívida chega a US$ 13 milhões. (X) Além disso, nesse ano, várias afiliadas da emissora desapareceram ou mudaram de canal, passando para SBT, TV Bandeirantes, TV Record e CNT.
A retomada da teledramaturgia e o sucesso de “Xica da Silva” Em 1995, a Rede Manchete buscava a recuperação financeira. Mesmo sem dinheiro, a emissora investiu na construção de cidades cenográficas, abriu uma empresa independente, a Bloch Imagem & Som e retomou a produção de novelas, com a contratação do veterano diretor Walter Avancini, ex-Rede Globo e SBT. No mesmo ano, estreou “Tocaia Grande”, baseada no romance de Jorge Amado, que decepcionou no Ibope.
No ano seguinte, já sem Adolpho Bloch, a emissora viveria, em proporção menor, dias de euforia como aqueles observados em 1990, quando exibia “Pantanal”. Com a novela “Xica da Silva”, que estreou em setembro de 1996, e a jovem Taís Araújo, que começou a trama com apenas 17 anos, no papel da escrava que seduzia os nobres no século 18, os bons tempos foram revividos. Como descreve o jornal O Estado de S. Paulo, a novela registrou 14 pontos de média na audiência, segundo o Ibope. Ainda foi produzida, em 1997, a novela “Mandacaru”, mas com retorno e audiência muito abaixo do esperado.
Rede Manchete agoniza
A lembrança dos tempos da Tupi
Falamos agora de 1997 e 1998. A “televisão do ano 2000”, como era seu slogan, provavelmente não romperia, ironicamente, o século 21. O jornal O Estado de S. Paulo destaca que, em grande reportagem sobre a crise da emissora, que a Rede Manchete agoniza, lembrando, dezoito anos antes, o drama sofrido pela TV Tupi e seus funcionários. “Na onda dos remakes que invade a TV, a crise da Manchete tem jeito de história que se repete, não como farsa, mas como tragédia. Lembra os últimos dias da Tupi, com uma novela pelo meio, audiência lá em baixo e funcionários sem receber salários”.
Realmente a Rede Manchete agonizava. O ano de 1997, apesar do prejuízo, não havia sido ruim em termos de audiência: programas como “Na Rota do Crime”, “Operação Resgate”, “Márcia Peltier Pesquisa” e “Raul Gil” tinham bom público e faturavam. Com a grave crise de 1998, tais atrações foram extintas, algumas por falta de recursos para produção, outras porque os apresentadores deixaram a emissora, como foi o caso de Raul Gil e Márcia Peltier.
Muitos erros também foram cometidos: numa tentativa de ganhar audiência aos domingos, cuja disputa fica restrita aos programas “Domingão do Faustão”, de Fausto Silva, na Rede Globo e “Domingo Legal”, de Gugu Liberato, no SBT, é criado o “Domingo Milionário”, com vários quadros, destinados a público variado, com apresentação de Thunderbird, Marcelo Augusto e do veterano J. Silvestre, entre outros. A atração é fracasso de audiência e é substituída pelo “Domingo Total”, de fórmula parecida, que também durou pouco tempo. A Copa do Mundo de 1998, na França, é outro exemplo. Apesar de estar com a equipe no Brasil, transmitindo através das imagens da televisão, a exibição de competição deste nível sempre acarreta custos e audiência e faturamento nem sempre como esperados, já que a Rede Globo domina as transmissões esportivas na TV aberta brasileira.
Rede Manchete agoniza
O fiasco de "Brida"
Sempre que a emissora estava em situação crítica, como em 1989 e 1996, uma novela salvou-a da falência. Foi assim com “Pantanal”, em 1990, e “Xica da Silva”, em 1996. Para 1998, a aposta era “Brida”, novela baseada no romance mundialmente conhecido de Paulo Coelho.
Reproduzimos abaixo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que relata o fiasco de “Brida”, novela que prometia recuperar a audiência e prestígio da emissora, mas que, sem audiência, teve que ser encerrada às pressas.
Manchete enfrenta dias de agonia
Salários atrasados, fim de programas, dívidas e greves: a rede dos Blochs caminha para o naufrágio
Beatriz Coelho Silva e Eduardo Elias
(...) Lançada em agosto [de 1998] e prevista para terminar só em junho [de 1999], a novela Brida se despediu de seus poucos telespectadores na sexta-feira [23 de outubro de 1998]. O fim da história foi narrado por um ator, o ex-apresentador Augusto Xavier. Em greve por causa dos salários atrasados, Rubens de Falco, Carolina Kasting, Leonardo Vieira e os demais atores do elenco, além dos técnicos, recusaram-se a gravar o desfecho antecipado. Antes de ser tirada do ar, a novela, fracasso de crítica, audiência, e, conseqüentemente, faturamento, havia sofrido corte de um terço de seu pessoal.
A magia de Paulo Coelho, autor do best seller que inspirou o diretor Walter Avancini a fazer a novela, não evitou o naufrágio. Apesar do investimento maciço em publicidade, Brida manteve a média de 2 pontos de audiência. Confirmou uma operação descida que teve início com o último sucesso da emissora, Xica da Silva. Em 96, os melhores momentos de Xica rendiam 14 pontos no Ibope. Em seguida, a Manchete caiu para 6 pontos, com Mandacaru.
Brida custava caro para os padrões da Manchete: US$ 45 mil por capítulo. Avancini, a exemplo do que fez nas produções anteriores, tentou uma salvação de emergência. Quis esquentar a historia com erotismo (até cenas de sexo grupal) e a convocação de estrelas da casa, como Victor Wagner e Carla Regina. Tudo em vão: os anunciantes continuaram fugindo, às carreiras. “Eles tinham com a emissora um contrato de risco: se o ibope não chegasse a 5 pontos, não haveria patrocínio para a novela”, conta o presidente do Sindicato dos Artistas, Stephan Nercessian. Segundo o diretor-ccomercial da agência DPZ, Daniel Bárbara, o compromisso com os anunciantes era de atingir uma audiência de 10 pontos. Longe da meta, a emissora teve de veicular novos anúncios, sem custo adicional. (...)
“Brida” não só provocou o agravamento da crise financeira da emissora como prejudicou toda a programação, já que, a partir daí, sem recursos, muitas atrações foram extintas. Na segunda-feira seguinte a extinção de Brida [26 de outubro de 1998], a emissora iniciou nova reprise da novela “Pantanal”, buscando audiência – também sem resultado.
O faturamento da emissora caiu vertiginosamente a cada ano. Segundo a Superintendência Comercial da Rede Manchete, em 1990, com “Pantanal”, o faturamento foi de US$ 120 milhões, caindo para US$ 90 milhões em 1991, US$ 50 milhões em 1994, US$ 70 milhões em 1995, subiu para US$ 80 milhões em 1996, com “Xica da Silva”, e novamente caindo para US$ 70 milhões em 1997. No ano de 1998, o faturamento foi ainda menor, chegando a pouco menos US$ 50 milhões.
O arrendamento da emissora para a Igreja Renascer em Cristo Em janeiro de 1999, a situação da Rede Manchete era insustentável. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, a Manchete possuía dívidas de todos os tipos e tamanhos. “Jacqueline Kappeller, diretora-administrativa das empresas Bloch, afirmou em reunião com sindicalistas que a folha de pagamento chega a R$ 5 milhões. A empresa, segundo dados extra-oficiais, tem dívida de R$ 85 milhões com o INSS até 1997. O Sindicato dos Radialistas informa que, desde 1990, a contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não é paga”.
Cogitava-se a venda da emissora. O “Jornal da Manchete” foi suspenso por alguns dias, em virtude de nova greve de funcionários e jornalistas. Políticos já pediam a cassação em virtude do não cumprimento da lei que determina espaço mínimo para programação jornalística. A saída do Grupo Bloch foi arrendar a emissora para a Igreja Renascer em Cristo, de Sônia e Estevam Hernandez.
A Igreja já comprava a maioria dos espaços da emissora, apresentando seus programas religiosos em todas as faixas de horário. Segundo o site Rede Manchete – Qualidade em primeiro lugar, a Igreja já controlava as rádios dos Bloch desde o ano anterior.
O jornal Folha de S. Paulo também destacou a parceria entre Manchete e Renascer em sua edição de 05 de janeiro de 1999. “As partes afirmaram que se trata de uma sociedade, não da venda da rede, que tem dívidas avaliadas em mais de R$ 500 milhões e não paga salários integrais desde setembro. O acordo, cujos valores não foram divulgados, dá a Renascer parte da gestão das áreas operacional, comercial e de produção de TV. A Igreja possui mais de 200 templos, uma TV paga (Gospel) e uma rádio. A sociedade é confirmada por pelo presidente da Rede Manchete, Pedro Jack Kapeller. Englobará todo o grupo Bloch, que tem velha pendência judicial com o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, com quem desfez sociedade”.
Ainda em janeiro daquele ano, a Igreja começou a gerenciar a emissora. Novo logotipo, nova programação, com a maioria dos horários voltados para religiosos. Pelo contrato de arrendamento, a Igreja gerenciaria as finanças e a programação da Rede Manchete por um período de 15 anos.
Mas como aconteceu no caso da venda da emissora para IBF, em 1993, novamente, em menor espaço de tempo, o canal voltou para a mão dos Bloch. Apenas um mês depois de repassar o canal, o Grupo Bloch desfez a parceria, já que a primeira parcela do acordo não foi paga. A Rede Manchete caminhava, assim, para a extinção.
1993-1999: O FIM DO IMPÉRIO DOS BLOCH
A venda definitiva e a extinção da emissora
Após o precoce término da parceria com a Igreja Renascer em Cristo, a Rede Manchete ganhou, na Justiça, definitivamente, a posse da emissora, vencendo a batalha contra Hamilton Lucas de Oliveira, da IBF, que havia conseguido, dias antes, liminar garantindo a posse. Desta forma, a emissora poderia ser finalmente vendida, pois tudo já estava pronto para tal fim.
No dia 8 de maio de 1999 foi anunciada, com aprovação do Ministério das Comunicações, a venda da Rede Manchete de Televisão e seus cinco canais para o Grupo Tele TV, de Amilcare Dallevo Júnior. O nome da emissora foi trocado para Rede TV! e a programação foi totalmente reformulada.
Era o fim de uma emissora que prometia revolucionar, em 1983, quando foi lançada, com moderna programação visual e programas para as classes A e B, mas que, com problemas administrativos e gastos além do permitido, não chegou, ironicamente, ao ano 2000, como preconizava seu slogan “A televisão do ano
Para analisar o conturbado ano de 1999, último da história da Rede Manchete, realizamos uma ampla pesquisa nos arquivos do jornal Folha de S. Paulo daquele ano, relatando, abaixo, em pequenos trechos, o que de principal foi noticiado em relação à venda da emissora. O jornal fez grande cobertura sobre o assunto e praticamente todos os dias apresentava informações a respeito do tema.
05/01/1999 – Página 2-9
Igreja Renascer assume Rede Manchete
Toni Sciarreta e Ivan Finotti
A Fundação Renascer, da igreja evangélica Renascer em Cristo, é a nova parceira da Rede Manchete de Televisão. Segundo acordo assinado no domingo, a R.G.C. Produções Ltda. _que faz os programas da Igreja Renascer exibidos na Manchete, passa a dividir a responsabilidade pela produção, operacionalização e comercialização das cinco emissoras que compõem a rede.Segundo o bispo Antonio Carlos Abbud, sócio do presidente da Renascer, o apóstolo Estevam Hernandes, não se trata da compra da rede e, sim, de uma sociedade. (...) Desde setembro, a Manchete não paga em dia os salários. Em outubro, cortou a produção de quase todos os seus programas jornalísticos, abortando, inclusive, a novela "Brida". No mês passado, pagou 20% do salário de setembro. Mesmo assim, ficou fora do ar três vezes, a primeira devido a uma invasão de funcionários na torre da emissora
Igreja Renascer diz que não assume dívidas da Manchete
Da Reportagem Local e da Sucursal do Rio
A Igreja Renascer não vai assumir as dívidas da Rede Manchete. Segundo o bispo Antonio Carlos Abbud, 38, que está coordenando as negociações, a igreja não vai sequer pagar os salários atrasados. "Vamos estabilizar a emissora nesse primeiro momento e receber dinheiro de anunciantes". A dívida com atrasados é de cerca de R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Radialistas de São Paulo. (...)A TV Manchete ganhou um novo prazo do Ministério das Comunicações para comprovar que está em dia com o INSS, o que é necessário para renovar as cinco outorgas que possui no país, vencidas desde 96. Essas certidões negativas de débito, que deveriam ser apresentadas no dia 18, poderão ser encaminhadas até a segunda quinzena de maio. O ministério não foi informado.
07/01/1999 – Página 2-3
Funcionários pedem ação do governo
Da Sucursal do Rio
RioUma comissão de funcionários da Rede Manchete vai a Brasília, na próxima semana, pedir ao ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que interfira nas negociações entre a emissora e a igreja Renascer, que vai administrá-la. Os funcionários querem a preservação de empregos ou que a concessão da emissora, vencida desde 1996, seja cassada.
09/01/1999 – Página 3-5
Só a Globo transmitirá desfile de Carnval
A Rede Globo vai transmitir sozinha o desfile das escolas de samba do Rio deste ano. Esta será a primeira vez, desde que a Manchete foi inaugurada, em 83, em que o Carnaval carioca é transmitido apenas pela Globo. Em
12/01/1999 – Página 2-3
Situação da Manchete é ‘grave’, diz Pimenta
Da Sucursal de Brasília
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) considerou ontem "grave" a situação da TV Manchete e disse que pretende encontrar uma solução para os problemas "no menor prazo" possível. Com dívidas de aproximadamente R$ 500 milhões, a Manchete pagou apenas ontem o primeiro dos quatro salários atrasados de seus funcionários desde setembro. Segundo o Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, só os funcionários que não receberam o aviso prévio em setembro e outubro foram pagos. O sindicato prometeu entrar com ação para que os demitidos também recebam. Amanhã, Pimenta se reúne com representantes dos funcionários da emissora. O encontro com os proprietários da Manchete acontecerá na sexta-feira.O ministro ainda não marcou uma audiência com os representantes da Renascer e também não leu o contrato entre as partes. Pimenta da Veiga disse que pretende resolver o problema antes do final de maio, quando vence o prazo dado pelo ministério para que a Manchete comprove estar em dia com o INSS. Isso é necessário para que o ministério autorize a renovação das concessões da Manchete.
14/01/1999 – Página 2-8
Ministro quer transferir controle da Manchete
Fernando Godinho
O Ministério das Comunicações está disposto a retirar o grupo Bloch do controle da Rede Manchete e transferir a emissora para novos administradores que comprovem ter capacidade técnica e financeira para o negócio. A disposição do ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) foi expressa ontem a um grupo de sindicalistas e de funcionários da emissora, em reunião no ministério. Para concretizar essa operação, o ministério deverá determinar a transferência direta do controle acionário da emissora por meio de uma exposição de motivos aprovada por Fernando Henrique. O grupo Bloch seria forçado a transferir o controle da Manchete, mas continuaria responsável pelos débitos com o INSS.
16/01/1999 – Página 2-2
Grupo Bloch diz que vai pagar atrasados
Anna Lee
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, entregou ontem ao ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em Brasília, carta de exposição de motivos que inclui o compromisso de pagar, em 90 dias, os salários atrasados dos funcionários da Rede Manchete. Na carta, que possui 23 itens, Kapeller também se compromete a saldar as dívidas fiscais e bancárias da empresa.Na última quarta-feira, o ministro recebeu um grupo de sindicalistas e funcionários da emissora pedindo que o ministério interfira no acordo firmado entre a Manchete e a Fundação Renascer - no qual a RGC Produções Ltda. (produtora pertencente à fundação) passa a assumir a produção, operacionalização e comercialização da emissora, mediante o pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, durante 15 anos.
19/01/1999 – Página 2-10
Jornal volta ao ar com fim de greve
Da Sucursal do Rio
Cerca de cem jornalistas e técnicos da Rede Manchete voltaram ao trabalho ontem nas cinco cidades em que a emissora tem concessão (Rio, SP, BH, Recife e Fortaleza). A emissora tinha cerca de 1.700 funcionários antes das 600 demissões que aconteceram a partir de setembro. Os trabalhadores voltaram ao serviço depois de receber um dos cinco salários atrasados. Ontem, o "Jornal da Manchete" (fora do ar desde o dia 22 de dezembro) voltou a ser apresentado, às 20h30. Segundo a chefe de reportagem do Rio, Nelma Esteves, entre os 37 funcionários que voltaram a trabalhar no Rio não estão repórteres e editores, mas apenas diretores.
20/01/1999 – Página 2-9
Acordo é ‘frágil’, diz Pimenta da Veiga
Fernando Godinho
A Fundação Renascer, da Igreja Renascer em Cristo, disse ontem que pode pagar as dívidas da Rede Manchete, mas o Ministério das Comunicações insiste em retirar o grupo Bloch e a própria fundação do controle da emissora. As dívidas da Manchete estão estimadas em cerca de R$ 500 milhões, sendo R$ 250 milhões com o INSS. Na reunião de ontem com o ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), o presidente da Fundação Renascer, Estevam Hernandes Filho, disse que a RGC (Rede Gospel de Comunicação) tem o "compromisso" de pagar dívidas da Manchete para viabilizá-la. (...) O ministro Pimenta da Veiga, segundo seus assessores, não reconheceu a responsabilidade da Renascer sobre a Manchete e avaliou que o acordo é "juridicamente frágil", pois foi feito sobre concessões que estão vencidas desde 1996.
22/01/1999 – Página 2-4
Manchete diz que vai pagar salários
Da Sucursal do Rio
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, afirmou ontem, no Rio, que pretende pagar todos os salários atrasados dos funcionários da Rede Manchete até o final de março. No dia 11 de janeiro, Kapeller pagou um dos cinco salários (incluindo o 13º) que estavam atrasados desde setembro.O pagamento foi feito depois do acordo firmado entre a TV Manchete e a Fundação Renascer.
23/01/1999 – Página 2-2
Manchete demite e contraria TRT
Anna Lee
A Rede Manchete está enviando telegramas a funcionários comunicando que estão demitidos. Em pelo menos um dos telegramas, ao qual a Folha teve acesso, a justificativa da demissão é justa causa "devido ao abandono de funções a partir de 14 de outubro de 1998 (data de início da greve)". O comunicado contraria decisão da juíza Rosana Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho, de 16/12, que deu ganho de causa aos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas em ação na qual pediam abono das faltas desde o início da greve e pagamento dos atrasados. O Sindicato dos Jornalistas disse ter conhecimento de outros três telegramas que apresentam como justificativa o fato de os trabalhadores terem participado de manifestação, em 28/12, em frente ao prédio onde mora o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller. Segundo a advogada dos sindicatos, Cláudia Durant, "participação em manifestação não pode ser apresentada como justa causa". Kapeller disse, por sua assessoria de imprensa, que a empresa enviou telegramas de demissão a "poucos" funcionários. A Manchete considerou que eles deram motivos para receber justa causa.Ontem, os trabalhadores do Rio decidiram manter a greve. O Sindicato dos Jornalistas encaminhou à Procuradoria da República denúncia contra o acordo entre Manchete e Renascer, por ser ele baseado em concessões vencidas.
28/01/1999 – Página 4-1
Telefone ajuda a pagar contrato
Érika Sallum e Ivan Finotti
A Igreja Renascer criou três números de telefone especialmente para os fiéis ajudarem a pagar o arrendamento da Rede Manchete. (...)O fiel pode contribuir com R$ 10 (0800-7010-10), R$ 25 (0800-7010-25) ou R$ 50 (0800-7010-50). Em uma gravação, a bispa Sônia Hernandes, fundadora da Renascer, agradece a ligação, sem informar a finalidade da contribuição nem como a conta será cobrada. O telefone é divulgado em programas da Renascer, nos quais também não é mencionado que a arrecadação servirá para pagar o arrendamento da Manchete.
28/01/1999 – Página 4-1
Governo considera ilegal acordo Manchete-Renascer
Kennedy Alencar
O governo considera ilegal o contrato firmado entre a Rede Manchete e a Fundação Renascer. Análise jurídica do documento pelo Ministério das Comunicações concluiu que houve um ''arrendamento integral'' da rede de televisão, o que não é permitido pelos decretos 52.795/63 e 2.108/96, segundo apurou a Folha. Pelo contrato, a Fundação Renascer (por meio da RGC Produções Ltda., produtora pertencente à entidade) assume a produção, operacionalização e comercialização da emissora, mediante o pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, durante 15 anos. (...) No caso de concessões, é necessário, junto com os requisitos legais, uma decisão do presidente da República. A Folha apurou que o governo quer uma saída definitiva: a venda da Manchete. Por isso, está disposto a conversar com outros grupos que estejam interessados. Em último caso, a concessão seria cassada.
06/02/1999 – Página 4-10
Sede da Manchete vira templo da Renascer
Ivan Finotti e Érika Sallum
A sede da Rede Manchete
10/02/1999 – Página 2-2
Manchete ameaça romper contrato com Igreja Renascer
Anna Lee
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, anunciou ontem, por meio de sua assessoria de imprensa, que enviou notificação à Fundação Renascer avisando que, se o pagamento da primeira parcela do contrato com a TV Manchete não for pago em 72 horas, pretende romper o acordo. Pelo contrato firmado em 3 de janeiro entre Kapeller e a Fundação Renascer, a RGC Produções Ltda. (produtora pertencente à fundação) assumiu a produção, operacionalização e comercialização da Manchete, sob pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, por 15 anos. Segundo Kapeller, a Renascer ainda não honrou o pagamento da primeira parcela do acordo, que venceu no dia 31 de janeiro, e por isso pretende romper o contrato.
13/02/1999 – Página 2-5
Manchete rompe contrato com Renascer
Anna Lee e Ivan Finotti
“A Rede Manchete acaba de romper o acordo com o grupo Renascer". Assim começa o comunicado interno escrito na noite de ontem pelo presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller. O papel foi distribuído aos funcionários da emissora e lido, parcialmente, no "Jornal da Manchete" pouco antes das 21h. O motivo, segundo Kapeller, seria "o descumprimento de cláusulas contratuais". O comunicado determina ainda "o imediato afastamento da RGC Produções das atitudes operacionais, comerciais e artísticas que vinha exercendo". A resposta do apóstolo Estevam Hernandes, presidente da Fundação Renascer, veio por meio de sua assessoria: Hernandes afirma que só sai da Manchete se houver ordem judicial. O apóstolo soltou ainda um comunicado à imprensa: "Estamos tomando todas as providências legais", afirmou.
14/02/1999 – Página 3-7
Manchete fecha portas para bispos
Ivan Finotti
Seguranças da Rede Manchete fecharam ontem os portões para impedir os bispos da Igreja Renascer de entrar na sede da emissora
18/02/1999 – Página 2-5
Renascer reassume Manchete
Ivan Finotti
A Igreja Renascer conseguiu recuperar ontem a Rede Manchete de Televisão por meio de uma liminar. Hoje, os programas evangélicos da igreja devem voltar ao ar. (...)Na tarde de ontem, o apóstolo Estevam Hernandes conseguiu uma liminar de reintegração de posse da emissora na 6ª Vara Cível de Santana, assinada pelo juiz Amador Pedroso. O grupo Bloch deve recorrer hoje da decisão.
19/02/1999 – Página 2-3
Banco Rural cobra dívida da Manchete
Érika Sallum
O Banco Rural deu prazo de 24 horas para o grupo Bloch pagar duplicata de R$ 5 milhões, descontada pela TV Manchete
23/02/1999 – Página 2-10
Manchete volta ao grupo Bloch
Da Reportagem Local
O grupo Bloch reassume hoje a Rede Manchete de Televisão. Ontem à noite, o grupo derrubou, por meio de outra liminar, a liminar de reintegração de posse que a Igreja Renascer havia conseguido na quarta-feira passada. A nova liminar foi recebida sem surpresa pelos bispos, que já haviam, inclusive, esvaziado suas gavetas. Desde que recuperaram o controle da rede, na semana passada, os bispos nem se preocuparam em gravar novos programas. Exibiram apenas reprises.
25/02/1999 – Página 2-6
Kapeller negocia com dono do jornal “O Dia”
Anna Lee
O presidente das empresas Bloch, Pedro Jack Kapeller, disse ontem que o empresário Ary Carvalho, dono do jornal carioca "O Dia", é um dos interessados em comprar a Rede Manchete. Segundo Kapeller também há negociações com outros dois grupos, mas ele não revelou os nomes. A Folha apurou que um desses grupos é de Brasília. Procurado pela reportagem, Carvalho disse, por meio de sua secretária, que não atenderia ao telefonema por não ter nada a falar, já que desconheceria as negociações com Kapeller. (...) Ontem, Kapeller nomeou o jornalista Mauro Costa novo superintendente-geral da rede.
26/02/1999 – Página 2-3
Pimenta elogia fim de acordo
Fernando Godinho
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) considerou "salutar'' a saída da Fundação Renascer do controle da Rede Manchete. A fundação assumiu a gestão técnica e financeira da emissora no início deste ano, mediante um contrato de arrendamento com o grupo Bloch (proprietário da Manchete) que previa o pagamento mensal de R$ 4,8 milhões. A inadimplência da Fundação Renascer, que é ligada à Igreja Renascer em Cristo, fez o grupo Bloch anular o contrato na Justiça.
05/03/1999 – Página 2-6
Funcionários invadem ministério
Da Reportagem Local
Cerca de cem funcionários da Rede Manchete invadiram ontem o primeiro andar do prédio do Ministério das Comunicações
19/03/1999 – Página 2-3
Bloch revela interesse de produtora
Da Sucursal do Rio
O presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, disse ontem que há um contrato de opção de compra da Manchete feita pela produtora Ômega, de Amilcare Dallevo. Segundo Kapeller, o contrato definitivo deve ser elaborado dia 8, quando termina auditoria na Manchete pela empresa de Dallevo. A Ômega se tornaria responsável pelo passivo da emissora e o pagamento dos salários atrasados seria prioritário no contrato.
08/04/1999 – Página 2-3
Ex-ministro atua na venda da Manchete
Elvira Lobato e Anna Lee
O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros assumiu o papel de intermediador na venda da Rede Manchete. Anteontem à tarde, ele se reuniu com o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, na sede da emissora, no Rio. O encontro foi confirmado à Folha pelo próprio Kapeller. (...) Segundo Kapeller, o ex-ministro está fazendo a ligação entre a emissora e um grupo de eventuais compradores, os quais não quis identificar, alegando que o momento é ''delicado'' para a empresa.
09/04/1999 – Página 2-4
Grupo faz proposta a funcionários de TV
Da Reportagem Local
O grupo TeleTV, que negocia a compra da Rede Manchete, propôs a sindicalistas o pagamento parcelado, no prazo de 12 meses, dos salários atrasados dos funcionários da emissora. Na reunião, ocorrida anteontem à noite, a TeleTV (que operava sorteios na TV, via 0900) também propôs o cancelamento das demissões ocorridas em setembro do ano passado (cerca de 600, em todo o país) e estabilidade de 90 dias, a partir da volta ao trabalho dos funcionários que estão
Candidato à compra da Manchete teme fim da rede
Aline Sordili
Amílcare Dallevo Júnior, dono da TeleTV, grupo interessado na compra da Rede Manchete, diz confiar na Justiça para a resolução do impasse criado na semana passada, quando o ex-proprietário da emissora Hamilton Lucas de Oliveira obteve liminar parcial, impedindo a venda da TV Manchete. A venda da emissora deve ser concretizada, segundo o Ministério das Comunicações, até o dia 18 de maio. Passado esse prazo, e caso não tenha ainda sido vendida, a Manchete perderá a concessão. Sendo assim, os canais da emissora
06/05/1999 – Página 2-11
Desembargador julga hoje recurso contra venda da TV
Da Sucursal do Rio
O desembargador Roberto Wider, da 5ª Câmara Cível do Rio, vai julgar hoje o recurso do empresário Hamilton Lucas de Oliveira contra a decisão judicial que deu, em primeira instância, a posse da TV Manchete à família Bloch. Desde 1993, Oliveira, dono do IBF (Instituto Brasileiro de Formulários), briga na Justiça pela posse da emissora, cuja compra negociou em 92. Alegando não-pagamento das parcelas, a família Bloch conseguiu retomar a TV. A venda da Manchete para o grupo Tele TV, do empresário Amilcare Dallevo, depende da decisão de Wider.
07/05/1999 – Página 2-5
Grupo Bloch ganha na Justiça direito de posse da Manchete
Anna Lee e Aline Sordili
A família Bloch ganhou ontem na Justiça, em segunda instância, o direito de posse da TV Manchete. A 5ª Câmara Cível do Rio julgou improcedente, por unanimidade, o recurso de Hamilton Lucas de Oliveira contra a decisão judicial que havia dado, em primeira instância, a posse da emissora aos Bloch. O desembargador Roberto Wider, relator do processo, também cassou a liminar que concedera em favor de Oliveira, impedindo a venda da TV até que fosse decidida a questão judicial. Com isso, poderá ser concluída a negociação com o grupo Tele TV, do empresário Amilcare Dallevo Júnior.
08/05/1999 – Página 2-5
Funcionários invadem Manchete
Anna Lee
Os funcionários da TV Manchete invadiram ontem o saguão da sede da emissora no Rio. A intenção era pressionar Pedro Jack Kapeller, presidente do grupo Bloch, a assinar o contrato de venda da TV - o que deve ocorrer até amanhã. (...) Na invasão, houve tumulto entre funcionários e seguranças. Um vidro da porta chegou a ser quebrado, e policiais militares tiveram que intervir. Kapeller chegou, aceitou conversar e assinou documento garantindo que o contrato será assinado até amanhã.
11/05/1999 – Página 2-6
Governo analisa a venda da Manchete
Fernando Godinho
O grupo paulista TeleTV vai assumir a Rede Manchete pagando passivos de R$ 330 milhões (e não de R$ 608 milhões), cancelando as demissões feitas na empresa no ano passado e investindo US$ 100 milhões nos próximos 12 meses. O presidente do TeleTV, Amilcare Dallevo Junior, encaminhou ontem ao ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) o contrato de venda da Manchete assinado por ele e pelo presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller (que ainda é o dono da emissora), na madrugada de anteontem. Com um faturamento de R$ 400 milhões no ano passado, o TeleTV só assumirá a Manchete quando for publicado no "Diário Oficial'' da União um decreto presidencial determinando a transferência integral do controle acionário da emissora para o grupo paulista. Isso ocorrerá após o Ministério das Comunicações analisar os documentos encaminhados por Dallevo e recomendar a edição do decreto ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
15/05/1999 – Página 2-9
Ministro assina a venda da Manchete
Da Sucursal de Brasília
O ministro Pimenta da Veiga (Comunicações) assinou ontem um decreto transferindo o controle acionário da Rede Manchete para o grupo paulista TeleTV. O decreto será publicado pelo "Diário Oficial" da União até a terça-feira, com a assinatura do presidente Fernando Henrique Cardoso. A assessoria do ministério explicou que a proposta do TeleTV, de Amilcare Dallevo Junior, mostra que o grupo tem condições técnicas e financeiras de gerir a rede. O grupo também apresentou um certificado de regularidade emitido pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) comprovando que as dívidas da Rede Manchete foram renegociadas.Dallevo Junior informou, na segunda-feira passada, que as dívidas da Manchete com o INSS e com o FGTS somam cerca de R$ 200 milhões. As dívidas com salários, bancos privados e fornecedores chegam a R$ 130 milhões.Com a conclusão da venda, a Presidência da República irá encaminhar ao Congresso uma solicitação para que a concessão da emissora seja renovada.A concessão venceu em 96, mas permite a operação de emissoras
22/05/1999 – Página 4-1
Funcionários se dizem aliviados
Érika Sallum
Após oito meses em greve, os funcionários da Manchete se dizem aliviados diante das negociações com o grupo TeleTV. Segundo Everaldo Gouveia, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no dia 27 os funcionários da emissora retornam ao trabalho em todo o país, um dia após o pagamento da primeira parcela dos salários atrasados - as demais serão recebidas em até 11 vezes, sem correção.
22/05/1999 – Página 4-1
Nova TV Manchete estréia em agosto com outro nome
Aline Sordili
Estréia em agosto a nova programação e o novo nome da Rede Manchete. Amílcare Dallevo Jr., 41, atual dono da emissora, encomendou pesquisa para a agência de publicidade Fischer, Justus, que deve descobrir qual o nome que mais agrada à população. A agência também cuidará do lançamento da nova emissora. Na compra, o empresário desembolsou um total de R$ 250 milhões - entre dívidas com o governo e trabalhistas, além das cinco concessões (São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte e Fortaleza). (...) Dallevo não ficou com nenhum prédio ou equipamento da Manchete. Os funcionários foram o ativo incorporado. "Não ficamos com a TV Manchete Ltda. Nem com o seu CGC. Essa empresa tem ainda uma dívida de cerca de R$ 80 milhões com bancos privados", disse Dallevo.
29/05/1999 – Página 2-13
Rede TV! é o novo nome da TV Manchete
Aline Sordili
Rede TV! é o novo nome da Rede Manchete. O nome escolhido é resultado de uma pesquisa da agência de publicidade FischerAmérica junto à população. "Foram apresentados seis nomes para o público e esse foi o escolhido", disse Antonio Fadiga, diretor-geral de comunicação total da agência. Segundo ele, a simplicidade do nome é uma tentativa de surpreender. "É um nome que já faz parte do cotidiano das pessoas e vai virar referência para a ex-Manchete".
01/06/1999 – Página 2-7
Manchete do Rio continua
Da Sucursal
Os funcionários da Rede Manchete no Rio decidiram ontem continuar em greve até pelo menos hoje, quando em assembléia resolvem se voltam a trabalhar. Depois de decidir, na última sexta-feira, retornar às suas atividades ontem, voltaram atrás. Segundo eles, Amilcare Dallevo, dono da Rede TV!, novo nome da Manchete, não pagou a primeira parcela dos salários atrasados para o Rio, como fez nas outras praças - São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Brasília. A justificativa para o não-pagamento, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas do Rio, seria a recusa dos sindicatos de assinar o acordo trabalhista acertado na época das negociações de compra da emissora.
02/06/1999 – Página 2-4
Sindicato do RJ assina acordo com TeleTV
Da Sucursal do Rio
Os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do Rio assinaram ontem o acordo com o grupo Tele TV, comprador da Rede Manchete. O acordo determina a forma de pagamento do passivo trabalhista da emissora. Agora, os funcionários do Rio devem receber a primeira parcela dos salários atrasados. Segundo os sindicatos, assim que for feito o pagamento, será decretado o fim da greve, que já dura nove meses.
03/06/1999 – Página 2-2
Acaba greve de funcionários da Manchete
Da Sucursal do Rio
Os funcionários da Manchete (que passa a ser Rede TV! em agosto) no Rio decidiram terminar a greve e voltar ao trabalho na segunda-feira. A decisão foi tomada depois que Amílcare Dallevo, comprador da TV, pagou a primeira parcela dos salários atrasados.Os funcionários estavam em greve havia nove meses. Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Rio, os trabalhadores poderiam retornar às atividades ontem, mas a empresa não tinha infra-estrutura, como papel e cadeiras, para recebê-los.
09/06/1999 – Página 2-6
Bloch leiloa prédios para saldar dívida de R$
Da Sucursal do Rio
Os dois prédios-sede das empresas Bloch e da Rede TV! (ex-Manchete) no bairro da Glória (centro do Rio) vão ser leiloados judicialmente nos dias 14 e 15. O leilão acontece para cobrir uma dívida de R$ 7 milhões que o grupo Bloch contraiu com o banco Econômico há nove anos e que hoje está avaliada em R$ 140 milhões. Segundo Pedro Jack Kapeller, presidente do grupo Bloch, essa dívida é da TV Manchete e, portanto, caberia aos novos donos da rede saldá-la. Kapeller também afirmou que tem um documento no qual recebeu a garantia de que os compradores da Manchete não deixariam os prédios irem a leilão. O empresário Amílcare Dallevo disse que sua empresa, a TV Ômega Ltda., nova dona das concessões da Manchete, assumiu apenas as dívidas com o governo e o passivo trabalhista. Segundo ele, o ativo e o passivo com bancos privados da antiga TV Manchete foram assumidos por uma empresa constituída por ex-banqueiros, liderados por Fábio Saboya.Os 1.621 funcionários da rede em todo o Brasil também são contratados pela parte da antiga TV Manchete, assumida por Saboya, chamada agora de TV Manchete Ltda., apesar de Dallevo ter assumido o passivo trabalhista.
26/06/1999 – Página 2-2
Adiado outro leilão de prédio da Bloch
Da Sucursal do Rio
O leilão do prédio do grupo Bloch na rua do Russel, 804, na Glória (zona sul), marcado para ontem, foi adiado para 28 de julho. No dia 14 deste mês, já havia sido adiado o leilão do prédio vizinho, o de nº 766, também sede do grupo, para 14 de julho.
10/07/1999 – Página 2-6
BB vai à Justiça contra TV Manchete
Da Sucursal de Brasília e da Sucursal do Rio
O Banco do Brasil vai entrar segunda-feira na Justiça com uma ação de ajuizamento contra a Bloch Editores e a TV Manchete para exigir o pagamento de dívidas das duas empresas. A ação de ajuizamento permite que a empresa continue funcionando. O débito vem de acordo fechado em 1997 entre o BB e as empresas.A dívida estava parcelada, mas com um recente atraso de pagamento o BB decidiu ontem ir à Justiça. A diretoria do banco não pretende pedir a falência das duas empresas.Outro ladoO empresário Fábio Saboya Júnior, dono da TV Manchete Ltda., disse que não foi informado sobre a ação."Recebo a notícia com tranquilidade. Numa reunião há 20 dias com a diretoria do banco, deixei clara minha intenção de assumir o que cabe a mim nessa dívida", disse.
15/07/1999 – Página 2-6
Leilão no Rio não atrai compradores
Da Sucursal do Rio
O leilão dos dois prédios do grupo Bloch no bairro da Glória (zona sul do Rio), marcado para ontem, não foi realizado porque não apareceu nenhum arrematante. Um novo leilão está previsto para o próximo dia 26 deste mês. Os prédios foram dados em garantia ao banco e estão avaliados pelo Justiça em cerca de R$ 45 milhões. No entanto, a advogada dos sindicatos dos jornalistas e radialistas do Rio, Cláudia Duranti, entrou ontem com ofício na 70ª Junta de Conciliação e Julgamento, do Tribunal Regional do Trabalho, pedindo reserva de crédito de R$ 105 milhões do que for arrecadado no leilão para pagamento das dívidas trabalhistas da Manchete.
26/07/1999 – Página 6-1
Devedor, “Jaquito” recebeu US$ 4,5 milhões pela venda
Mônica Bergamo
A transferência da concessão de televisão da Manchete, que era da família Bloch, para a Rede TV!, do empresário Amilcare Dallevo Jr., torna mais remota a possibilidade de que o Banco do Brasil receba de volta um empréstimo hoje estimado em mais de R$ 70 milhões. A dívida no BB foi feita ao longo de diversos anos por várias empresas da família Bloch e seria paga por meio de anúncios na emissora. O problema é que a TV Manchete, embora continue existindo, não é mais dona de um canal de televisão. Portanto, o banco não tem onde veicular os anúncios. A família Bloch deve ao BB desde a década de 1950. O débito chegou a R$ 160 milhões, entre outras razões porque o banco pagou mais de 65 mil cheques sem fundos emitidos pelo grupo. Em 1990, o BB executou a empresa na Justiça. Em 1997, sem ter conseguido receber nada, tentou um acordo. Uma pequena parte da dívida foi paga em dinheiro e em imóveis.
Outro pedaço foi parcelado em cinco anos, e a maior parte - 76% do total - foi trocada pelo direito de veicular anúncios. O problema é que, na operação de transferência da televisão, as empresas da família Bloch foram divididas em três grupos. A TV, que é uma concessão do governo, foi transferida para Amilcare Dallevo Jr. A empresa chamada TV Manchete foi comprada pelo banqueiro Fábio Saboya. Tem uma dívida estimada em R$ 100 milhões com vários credores e é dona de imóveis espalhados pelo país.
A Bloch Editores, que tem revistas, rádios e gráficas, continua nas mãos da família Bloch e é controlada por Pedro Jack Kapeller, o "Jaquito". Os documentos obtidos pela Folha mostram que, embora devesse milhões ao governo, Kapeller conseguiu transferir a empresa, livrar-se de boa parte das dívidas e ainda receber, com o conhecimento do Ministério das Comunicações, US$ 4,5 milhões em sete pagamentos anuais.
Até agora, Kapeller insistia na versão de que não recebera um tostão. Procurado pela Folha, ele não quis se manifestar. Na negociação com o ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, Dallevo assumiu a TV com o compromisso de saldar apenas as dívidas da Manchete com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e o FGTS. O ministro não incluiu a dívida do Banco do Brasil nas conversas. Assim, para receber o dinheiro, o BB terá de acionar as empresas na Justiça.
27/07/1999 – Página 2-3
Caso está sob investigação
Mônica Bergamo
O Ministério Público Federal está investigando os motivos que levaram o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a transferir a ex-TV Manchete para o empresário Amilcare Dallevo Jr. sem licitação. Os procuradores também estão investigando se Dallevo tem condições financeiras de tocar o negócio. Documentos revelados ontem pela Folha mostram que o empresário faturou R$ 79,536 milhões no ano passado e não R$ 400 milhões, como declarava. A família Bloch não pagava dívidas com o governo nem o salário dos funcionários. Foi então que houve a transferência da TV para Dallevo Jr. O ministério diz que a solução foi boa porque, caso contrário, funcionários e governo teriam que recorrer à Justiça para receber.
27/07/1999 – Página 2-3
Bloch Editores pede concordata no Rio
Da Sucursal do Rio
A Bloch Editores apresentou na última sexta-feira ao juiz da 5ª Vara de Falências e Concordatas do Rio, José Carlos Maldonado, pedido de concordata preventiva, pelo prazo de dois anos. O pedido prevê o pagamento integral de R$ 250 milhões relativos a dívidas sem garantia, em duas prestações anuais, correspondentes a 40% e 60% do total, com o primeiro pagamento previsto para julho de 2000. Os motivos alegados para o pedido são "a negativa conjuntura internacional e a negativa conjuntura recessiva do país". Além disso, a empresa alega uma crescente redução de faturamento, de cerca de R$ 30 milhões em 1998 em relação ao ano anterior, e "o descumprimento de obrigações contratuais pelo grupo Hamilton Lucas de Oliveira".
A Bloch Editores detém hoje como patrimônio, segundo Bumachar, os edifícios-sede da antiga TV Manchete e da Bloch, no Rio, os prédios das filiais da TV
Uma liminar concedida pelo desembargador Antônio Eduardo Duarte, da 3ª Vara Cível do Rio, suspendeu o leilão dos prédios-sede da Bloch e da TV, marcado para ontem. O leilão é para pagar dívida de US$ 7 milhões que a TV Manchete contraiu com o banco Econômico, em 92, e que hoje está avaliada em cerca de R$ 137 milhões, segundo Fábio Saboya, um dos compradores da TV junto com Almicare Dallevo Jr..
04/11/1999 – Página 2-7
Dívidas da Manchete entram em disputa
Alexandre Maron
A juíza da 14ª Vara Cível do Rio, Rosana Navega Chagas, declarou a TV Ômega, controladora da Rede TV!, sucessora da TV Manchete, responsável também pelas dívidas do grupo anteriores à venda da emissora. Na decisão, emitida no dia 20 de outubro, a juíza afirma que não há como uma empresa comprar a concessão, e outra as dívidas, equipamentos e imóveis, dividindo a pessoa jurídica da Manchete.As duas empresas que compraram separadamente a emissora - a TV Ômega, de Amilcare Dallevo, e a Hesed Participações S/C, de Fábio Saboya Salles Jr.- deveriam ser consideradas responsáveis pelas dívidas, como se fossem sócias. Caso a TV Ômega não cumpra a decisão em até 45 dias após ser notificada judicialmente - o que, segundo a assessoria de imprensa da empresa, ainda não aconteceu -, deverá pagar uma multa de R$ 50 mil por dia.
14/11/1999 – Página 1-1
Rede estréia programação
Sucessora da Manchete, a Rede TV! gastou R$ 100 milhões em programas que priorizam o público jovem. Adriane Galisteu é a maior estrela.
03/12/1999 – Página 2-2
Rede TV! não pagará atrasados
Alexandre Maron
O vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho, disse ontem que não pagará as parcelas dos salários atrasados dos funcionários da TV Manchete por temer que Pedro Jack Kapeller, ex-dono da emissora, se aposse dessa quantia por meio de manobras jurídicas. A disputa começou no dia 20 de outubro, quando a juíza Rosana Navega Chagas, da 14ª Vara Cível do Rio, decidiu que a TV Ômega, de Carvalho e do empresário Amílcare Dallevo, passava a ser controladora da TV Manchete.
16/12/1999 – Página 2-2
Rede TV! devolve 1.300 funcionários
Daniel Castro
A Rede TV! anunciou ontem que está "devolvendo" à TV Manchete cerca de 1.300 funcionários que herdou da ex-rede de televisão do grupo Bloch.Em maio deste ano, a TV Ômega Ltda. (razão social da Rede TV!) adquiriu as concessões da Manchete assumindo os 1.600 funcionários da rede, que tiveram 90 dias de estabilidade no emprego. Esses funcionários formalmente estavam trabalhando para a Rede TV!, mas ainda vinculados à Manchete. Deles, 300 deverão ser contratados pela Rede TV!.Segundo Marcelo de Carvalho, um dos sócios da Rede TV!, a maioria desses funcionários era "virtual", já estava trabalhando em outras empresas.Os funcionários "devolvidos" deixarão de receber salários, mas não deverão ter seus contratos rescindidos. As parcelas dos salários atrasados deverão ser pagas.Os sindicatos dos radialistas de São Paulo e do Rio temem que os funcionários devolvidos percam seus direitos trabalhistas e ameaçam fazer greve na semana que vem.
24/12/1999 – Página 4-1
“Não somos o INSS”, diz vice
Daniel Castro
O vice-presidente da Rede TV!, Marcelo de Carvalho Fragali, diz que a emissora não está passando por uma crise financeira.Também afirma que a Rede TV! não está sendo oferecida a investidores estrangeiros. "O Lehman Brothers nos assessorou na compra da Manchete e preparou esse documento (o 'business plan') para captar dinheiro no sistema financeiro. Mas, por enquanto, não temos estrutura para emitir debêntures (títulos de créditos) no exterior", diz. O único compromisso que o vice-presidente da Rede TV! diz não estar em dia é o pagamento da sétima parcela dos atrasados dos funcionários da Manchete. "O resto é boato, bobagem ou mentira", diz. O executivo afirma que não pagou a parcela dos atrasados vencida em novembro porque teme que o dinheiro seja sequestrado por credores do grupo Bloch. Fragali diz que a Rede TV! está deixando de pagar salários mensais a cerca dos 1.300 dos 1.600 funcionários que herdou da Manchete porque sua empresa "não é o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)".
25/12/1999 – Página 4-3
Grupos travam conflito na Justiça
Daniel Castro
As relações entre o ex-dono da TV Manchete, o grupo Bloch, e o comprador, a TV Ômega, estão estremecidas desde outubro, quando o primeiro foi à Justiça contra o segundo. Nos últimos dias, os grupos publicaram em jornais comunicados em que se acusam mutuamente. Quando mudou de mãos, em maio, a TV Manchete foi dividida em duas empresas: a TV Ômega - que ficou com as concessões e assumiu o compromisso de pagar os salários atrasados e as dívidas com o governo, num total de R$ 280 milhões - e a Hesed Participações - que ficou com o patrimônio da emissora e as dívidas com bancos e fornecedores, em torno de R$ 225 milhões. Fabio Saboya, dono da Hesed, pretendia renegociar as dívidas, vender o patrimônio e ainda ter lucro no final da operação. Mas afirma que o grupo Bloch se recusou a transferir a empresa (TV Manchete) para ele, o que teria inviabilizado seu projeto. Alfredo Bumachar, advogado de Pedro Jack Kapeller, ex-presidente da Manchete, diz que a Hesed apareceu na "última hora" e que foi uma imposição da Rede TV!. (...)
A pedido de Kapeller, a Justiça decidiu, provisoriamente, que a TV Ômega é sucessora de todas as dívidas da Manchete, inclusive da parte que ficou com a Hesed. Por causa disso, a Ômega deixou de pagar os salários atrasados dos funcionários. Nesta semana, a Rede TV! publicou comunicado em jornais afirmando que o grupo Bloch vendeu o patrimônio da Manchete a "outro grupo empresarial" (Hesed) e que a ação de Kapeller é "infundada". Kapeller respondeu dizendo que "a TV Ômega pretende confundir a Justiça e a opinião pública".
No próximo tópico, vamos relatar a situação atual das pendências jurídicas entre a TV Ômega a TV Manchete.
1993-1999: O FIM DO IMPÉRIO DOS BLOCH
Considerações sobre a falência da Rede Manchete
Os motivos que levaram a emissora à falência
Foi possível acompanhar, através do noticiário do jornal Folha de São Paulo do ano de 1999, tudo o que aconteceu nos últimos momentos de existência da Rede Manchete. Analisando a história completa da emissora, verificam-se três motivos principais para a situação de falência: má gestão, falta de conhecimento para gerenciar uma televisão e utilização de capital maior do que o possível e muitas vezes necessário, através da obtenção de empréstimos, a maioria conseguido a base de troca de favores políticos, como destaca Conti (1999).
A mesma opinião podemos observar na entrevista do advogado que prestou serviços para a TV Excelsior, José Dias, a Gonçalo Junior. “Porque a Manchete quebrou? Quem foi dirigir a emissora? O sobrinho de Adolpho Bloch, Jaquito, que não entende absolutamente nada de televisão. A primeira coisa que tem de fazer quando se compra uma emissora é colocar no comando quem entende do assunto. Senão, vai quebrar. Não tenha dúvida disso. É um negócio muito peculiar. É como colocar na direção da Gazeta Mercantil um sujeito que tem uma quitanda. Quando entrar lá, ele vai se perder por que se trata de uma publicação muito específica, dirigida a empresários e homens de negócio. Acredito que se você colocar lá o Boni [José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-diretor da Rede Globo], que mais entende de TV no Brasil, ele quebrará a Gazeta Mercantil em dois meses”. (Moya, 2004, p. 328).
Ainda sobre os motivos da falência da Rede Manchete e do Grupo Bloch, observamos em Conti (1999), algumas das artimanhas utilizadas por Adolpho Bloch para conseguir capital para a emissora, numa demonstração clara de má gestão administrativa e financeira.
“Entre 1987 e 1988 – uma auditoria revelou – Adolpho Bloch assinou a extraordinária quantia de 28 mil cheques sem fundo, que somaram 50 milhões de dólares. Arrumou outros 11 milhões de dólares com 2 mil duplicatas frias. Os cheques sem fundo eram transformados automaticamente em empréstimos, dificilmente resgatáveis. Bloch emitia uma nota fiscal contra um comprador de publicidade fictício, fazia uma duplicata fria e a descontava no banco. Quando vencia a dívida, o banco procurava o devedor e não o encontrava, pelo bom motivo de que ele não existia”. (Conti,1999, p.517).
Adolpho Bloch, que entendia muito sobre gráficas e publicação de revistas, não tinha o conhecimento necessário para gerenciar uma televisão. Além disso, os gastos saíram além do planejado, como o próprio empresário afirmou, dizendo que preferia continuar investindo em gráficas e livros. É célebre uma frase atribuída a Bloch: “Quando tiver que tirar um níquel de minhas revistas, vendo a TV”. Não foi o que aconteceu. E o império dos Bloch ruiu.
Considerações sobre a falência da Rede Manchete
Situação atual
A questão da sucessão ou não da Rede Manchete por parte da TV Ômega ainda não foi totalmente definida. Em 30 de setembro de 2003, a 9ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu que a Rede TV! (TV Ômega) não pode ser considerada sucessora da TV Manchete, ficando isenta de qualquer ônus ou dívida trabalhista em relação à emissora dos Bloch. Mas ainda cabe recurso no Superior Tribunal de Justiça. O imbróglio jurídico deverá levar alguns anos para ser resolvido, como foi o caso Bloch x IBF, cuja decisão saiu apenas em 1999.
Outro sério problema e preocupante que envolve a Rede Manchete é a questão do acervo da emissora, composto por milhares de fitas. A maioria das imagens está lacrada pela Justiça junto com todo o prédio dos Bloch, no Rio de Janeiro, em péssimas condições de conservação. Novelas como “Pantanal”, “Xica da Silva” e programas que marcaram época estão se perdendo através dos tempos, como aconteceu no caso da Rede Tupi e TV Excelsior, emissoras que praticamente não possuem acervo. O responsável pela massa falida é o juiz Walter Soares.
A intenção da Justiça é arrecadar dinheiro com todo o patrimônio da emissora que restou e ainda pertence a Bloch Editores ou TV Manchete Ltda, de Fábio Saboya, como móveis e as próprias fitas com novelas e programas e leiloar, para pagar dívidas trabalhistas.
Revistas da Bloch Editores
Em dezembro de 2002, os títulos das revistas da Bloch Editores – Manchete, Pais & Filhos, Ele Ela e Fatos & Fotos – foram leiloados. O comprador foi Marcos Dvoskin, ex-diretor geral da Editora Globo, que, em julho do mesmo ano, já publicou a primeira edição de Pais & Filhos sob seu comando – na verdade, o número 400 da publicação, através da Manchete Editora, sua empresa.
A Revista Manchete também voltou a circular – ainda em edições pesquisas, como Agronegócio, Carnaval e dez anos da morte do piloto Ayrton Senna. Ainda no final de 2003, a revista Ele Ela, voltada ao público masculino, circulou novamente.
Marcos Dvoskin escreveu, na carta ao leitor do relançamento de Pais & Filhos, os motivos que o fizeram comprar o título e também os objetivos da nova editora. Reproduzimos abaixo o artigo:
Um novo começo
Pais & Filhos marca a volta das revistas mais tradicionais da Editora Bloch ao mercado
Por Marcos Dvoskin
Os títulos que Adolpho Bloch legou ao mercado editorial de revistas estão entre as marcas de apelo mais poderoso e durável na percepção do consumidor brasileiro. É um orgulho e um privilégio para nós, da Editora Manchete, reapresentá-las a esse leitor que sempre lhes foi fiel, jamais deixou de lamentar sua ausência das bancas e aguardou pacientemente sua volta à circulação. É também uma grande responsabilidade para esta nova empresa, que começa grande e sólida sobre tal patrimônio de marcas. A Editora Manchete nasce comprometida com resultados, sabendo que, em um empreendimento editorial, resultado é a crescente satisfação do leitor, do revendedor - a rede de jornaleiros que sempre esteve tão intimamente ligada aos títulos de Adolpho Bloch - e do anunciante.
A força inalterada de títulos como Manchete, Fatos e Fotos, Desfile, Ele e Ela e esta Pais & Filhos sustenta-se nos alicerces inabaláveis de uma tradição jamais interrompida de insuperável qualidade editorial e gráfica. São revistas que, desde o seu surgimento, inovaram no conceito e na tecnologia industrial, estabelecendo as bases do moderno mercado editorial brasileiro.
Nosso objetivo primeiro é o de fazer jus a tal tradição, reposicionando esses títulos perenes de forma a que se coloquem entre os mais expressivos da moderna tecnologia editorial em todo o mundo. Para tal, a Editora Manchete começou por inovar na gestão, adotando um modelo partilhado entre todos os envolvidos no processo produtivo, que garante o compromisso fundamental com a excelência. Um modelo atraente para os profissionais mais provados e gabaritados do mercado, como o demonstra a adesão de Mônica Figueiredo, na qualidade de diretora de redação, ao desafio de fazer de Pais & Filhos uma revista indispensável para o público a que se destina.
À época de seu lançamento, Pais & Filhos configurou uma nova maneira de direcionar um produto editorial. A revista fugiu ao enquadramento na categoria das "publicações de interesse geral" e arriscou-se corajosamente a entreter e informar um segmento específico de leitores. Poucos produtos editoriais foram tão bem-sucedidos, e tão persistentemente ligados à percepção do que o consumidor tem como imprescindível. Agora, o título Pais & Filhos retorna sobre novo produto e disposto a continuar sua história de ousadia editorial, com a mesma missão de prover informação e apoio na sagrada tarefa de educarmos nossos filhos. É uma revista feita com a atenção e o carinho que eles merecem.
A Editora Manchete espera, em breve, retomar a produção semanal da revista Manchete, além de relançar os títulos Fatos & Fotos e Desfile e lançar novas publicações, conectadas ao mundo atual, moderno e globalizado.
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